segunda-feira, 13 de março de 2017

Resenha: O caderno rosa de Lori Lamby

Autora: Hilda Hilst
Editora: Globo
Número de Páginas: 128


Sinopse: O livro, em grande parte escrito na forma de diário, apresenta uma menina de oito anos que vende seu corpo incentivada por seus pais proxenetas. A obra é, sim, obscena e põe em cheque a moralidade dos leitores, pois é quase impossível realizar uma leitura frígida dos relatos de Lori Lamby. Mas, apesar do impacto inicial causado pelo tema da pedofilia, o livro vai muito além. A própria literatura é alvo de obscenidades: gêneros intercalados, cartas, relatos, citações pervertidas de grandes autores como D. H. Lawrence, Henry Miller ou Georges Bataille e um Caderno negro dentro do Caderno rosa de Lori. Aquilo que, a princípio, aparece no texto como possíveis e singelos erros de escrita de uma criança recém-alfabetizada aponta para um estudo lexicológico, para uma etimologia das sensações fazendo soluçar a gramática.

O livro vai contar a história de Lori Lamby, uma menina de 8 anos que se prostitui. A sua família está passando por problemas financeiros em casa, pois seu pai é escritor mas não consegue vender nenhum livro que escreve. A única solução que o casal vê é prostituir a filha para ganhar dinheiro. Além dos seus "encontros sexuais" Lori descreve no seu diário um pouco da história de seu pai, que é um escritor falido. O seu editor, chamado de Lalau, acha que a única saída para fazer seus livros venderem é escrever bandalheiras (pornografia), o que deixa o pai de Lori totalmente relutante.

Acho que isso é tudo o que eu posso falar sobre a história, o livro é curto e se eu contar mais vai ser spoiler, então prefiro parar por aqui. 

O livro é escrito em forma de diário, todo contado pela própria Lori. A linguagem é a de uma criança mesmo, com alguns erros e ás vezes até meio rebuscada pra idade da protagonista. A linguagem do livro é totalmente crua, Hilda Hilst não economiza nas palavras, descreve tudo de forma bem aberta e clara ao falar sobre sexo. É chocante! Por diversas vezes quase desisti de ler o livro, aquela história toda de pedofilia não estava me fazendo bem, mas persisti e tive uma grande (e positiva) surpresa no final. Tem que ser muito frio para ler os relatos de uma criança de 8 anos sobre se prostituir e não embrulhar o estomago. 

Esse livro é uma grande crítica ao mercado editorial. Hilda Hilst queria vender, queria ser popular, e o único modo que encontrou de fazer isso é escrevendo pornografia. E não é que vendeu!? Como a própria descreve o livro “é um ato de agressão, não é um livro, é uma banana” e “é uma brincadeira que eu considero de muito bom gosto (…) eu espero que dessa vez me leiam”.

Nota:


O livro contém TW (Trigger Warning ou aviso de gatilho), e não é recomendado para menores de 18 anos.


Sobre a autora:

Paulistana de Jaú, nascida no dia 21 de abril de 1930 e falecida a 4 de fevereiro de 2004, Hilda Hilst é reconhecida, quase pela unanimidade da crítica brasileira, como uma das nossas principais autoras, sendo consideradas uma das mais importantes vozes da Língua Portuguesa do século XX. Segundo o crítico Anatol Rosenfeld, “Hilda pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs - poesia, teatro e ficção”.

14 comentários:

  1. Nossa, chocante!!
    Vou adicionar aos meus desejados e assim que possível irei comprá-lo!

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  2. Nossa! Não sei se seria tão forte assim pra ler esse tipo de livro ):

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  3. Uau...que triste...não sei se conseguiria l~e-lo,mas fiquei curiosa. Sua resenha me deixou muito emocionada. Obrigada por essa dica,pois eu não o conhecia.
    Beijos

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  4. Meu deus, que livro pesado. Não sei se aguentaria ler, pedofilia sempre foi um assunto que mexeu muito comigo, não sei se teria estômago para aguentar a leitura inteira. Entendo que é um assunto que precisa muuuito ser discutido e fico feliz em saber que existem pessoas dispostas a fazer refletir a respeito.

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  5. Nossa!! fiquei curiosa, é um assunto bem pesado, mas vou procurar ler ele.
    aah, meus parabéns pelos 200 seguidores!! <3
    Estou participando do sorteio, e gostaria muito de ganhar o livro Como eu era antes de você.
    Bjoos

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  6. Uau! primeiro que essa capa com pouquíssima informação é super convidativa, menos é mais! E a história fiquei bem interessada, parece ser um livro que marca, me recordei de Lolita enquanto lia, apesar de ser bem diferente, ambos tratam de crianças sexualizadas, quero muito ler!

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  7. Esses livros assim pesados, com assuntos que são gatilho é sempre complicado e ao mesmo tempo desperta uma imensa curiosidade... e a capa deixa a gente mais instigada... Vou anotar a dica!
    bjos

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  8. Omg... Te admiro por conseguir ler um tema tão pesado, porque eu não sei se conseguiria ler, mas olha sua resenha me chamou bastante atenção para ler.

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  9. Creio que essa é uma obra necessária para todos lerem, sei que não vai acontecer, mas deveria. Dica anotada!

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  10. Oiee, a ideia do livro em sí eh bem chocante, apesar de ser uma critica não sei se leria, mas mesmo assim obrigada pela dica!

    Bjs jany

    wwww.leituraentreamigas.com.br

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  11. Oi, Thainá! :)

    Gostei muito da sua resenha, foi simples e objetiva. <3
    Sobre o livro... Eu não gosto desse tipo de leitura.
    Então dessa vez não anotar na minha lista de próximas leituras.
    Mas uma coisa que gostei muito foi da sua sinceridade ao falar do livro.

    Beijos!
    http://quimicanerds.blogspot.com.br/

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  12. Definitivamente não vou conseguir ler.. fiquei escandalizada soh com essa sinopse, quanto mais se lesse o livro.. não consigo e nem vou querer.. vc foi realmente muito forte pra conseguir terminar esse livro. Bjo! Thata

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  13. Oi!
    Realmente esse livro parece ser intenso e chocante, não sei se teria coragem para ler sobre o tema, mas adimiro você conseguir e avaliar o livro tão bem assim.

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  14. Oi Thainá.
    Eu tenho muito curiosidade de ler os livros da Hilda Hilst e sempre ouvi falaram desse livro dela, mas não sabia que se tratava de um tema tão pesado: prostituição de uma criança!
    Acredito que tem que ter estômago para ler, mas acho que é um ponto atraente o livro ser escrito em forma de diário e com uma linguagem infantil.
    Abraços.
    Abraços.

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